{"id":34715,"date":"2022-12-29T09:21:25","date_gmt":"2022-12-29T06:21:25","guid":{"rendered":"https:\/\/demo5.teaser-cube.ru\/2022\/12\/29\/pta-matriz-da-ressurreicao-da-real-razao-bombardeada\/"},"modified":"2022-12-29T09:21:25","modified_gmt":"2022-12-29T06:21:25","slug":"pta-matriz-da-ressurreicao-da-real-razao-bombardeada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/movieworld.blog\/pt\/2022\/12\/29\/pta-matriz-da-ressurreicao-da-real-razao-bombardeada\/","title":{"rendered":"A Matriz da Ressurrei\u00e7\u00e3o da Real Raz\u00e3o Bombardeada"},"content":{"rendered":"<p>Digamos - s\u00f3 por uma quest\u00e3o de argumenta\u00e7\u00e3o, claro - que se odeia a si pr\u00f3prio. Tendo isto em conta, tr\u00eas aspectos espec\u00edficos sobre a sua vida podem ser assumidos. Uma \u00e9 que nostalgia um certo per\u00edodo do seu passado. Liceu, faculdade, o que quer que seja - sente a sua falta. Outro \u00e9 que, procurando reviver esses anos de gl\u00f3ria, procura regress\u00f5es sensoriais, geralmente alguma combina\u00e7\u00e3o de gelados, pizza e ecr\u00e3s de computador, com imodera\u00e7\u00e3o sem vergonha e com os dedos pegajosos. Finalmente, ou n\u00e3o viu, ou viu e odiou muito, no ano passado, a bomba de bilheteira mais catastroficamente mal compreendida, The Matrix Resurrections.\n<\/p>\n<p>Estas coisas est\u00e3o, dolorosamente, relacionadas. A Matrix 4 n\u00e3o \"bombardeou\" porque era m\u00e1. Bombardeou porque, sendo ela pr\u00f3pria sobre auto-\u00f3dio e nostalgia e a tirania dos ecr\u00e3s, era odiada pelos nost\u00e1lgicos netizens auto-\u00f3dio. Quem deve, por esta l\u00f3gica, constituir uma circunscri\u00e7\u00e3o central do p\u00fablico do cinema. A HBO Max ressuscitou Ressurrei\u00e7\u00e3o no in\u00edcio deste m\u00eas para o streaming. Sabia disso? Ou at\u00e9 mesmo cuidado? Decididamente n\u00e3o, e esse \u00e9 todo o seu problema. \u00c9s, como Neo, incapaz de compreender o que mais precisas neste mundo, que \u00e9 precisamente a realidade da tua realidade. Se o Matrix 4 falhar em alguma coisa, \u00e9 no esquecimento de que os que se odeiam nunca querem olhar para o espelho.\n<\/p>\n<p>Embora possa estar ciente disso mesmo. O filme de Lana Wachowski arde praticamente com espelhos, com autocruzamento. A primeira filmagem \u00e9 de uma pessoa de cabe\u00e7a para baixo, que caminha na nossa direc\u00e7\u00e3o. \u00c9 um reflexo, acontece, numa po\u00e7a. Estamos a fazer invers\u00f5es e invers\u00f5es, Wachowski est\u00e1 a sinalizar, e n\u00e3o apenas cinematograficamente. O primeiro ter\u00e7o do filme recapitula aproximadamente os acontecimentos da primeira Matrix, mas mal, de forma pouco convincente. \"Porqu\u00ea usar c\u00f3digo antigo\", pergunta uma personagem, \"para espelhar algo novo?  \"O filme critica, e at\u00e9 odeia, a si pr\u00f3prio. O filme olha para o espelho e n\u00e3o gosta do que v\u00ea.\n<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o Neo. Vemo-lo a cair no seu posto de trabalho, a olhar para as velhas linhas de chuva verde, miser\u00e1vel. Nesta Matriz ressuscitada, ele \u00e9 um designer de jogos mundialmente famoso, e a trilogia original era simplesmente um jogo da sua pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o, n\u00e3o real. Uma vez, acreditando que era, tentou matar-se. \"Estarei eu louco?  \"pergunta ele ao seu terapeuta. \"N\u00e3o usamos essa palavra aqui\", responde o terapeuta. Sim, o Neo est\u00e1 agora em terapia.\n<\/p>\n<p>S\u00f3 que ' s ... m\u00e1 terapia. Logo que nos encontramos com o terapeuta, com \u00f3culos com estilo azul, ele renova a receita do Neo para comprimidos azuis. Ou\u00e7a as palavras que o terapeuta utiliza: \" O que estava a sentir naquele momento?  \" Este ataque tirou-lhe efectivamente a voz.  \" A sua viol\u00eancia despoletou-o.  \" \" Fal\u00e1mos sobre o valor da raiva adaptativa no trauma humano.  \"As aplica\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas s\u00e3o capazes de dialogar melhor do que isso, e esse \u00e9 o ponto. Em breve, a verdade vem ao de cima: O Arquitecto falhado da Matrix original foi substitu\u00eddo por este tipo. Ele ''chama-se Analista. Por outras palavras, o novo escravizador das massas, o vil\u00e3o de The Matrix Resurrections, \u00e9 um terapeuta de rotina.\n<\/p>\n<p>Come\u00e7a-se a ver porque n\u00e3o se gosta deste filme. O Matrix 4 n\u00e3o s\u00f3 o obriga a enfrentar a sua pr\u00f3pria mis\u00e9ria - tamb\u00e9m deixa claro que n\u00e3o h\u00e1 uma sa\u00edda f\u00e1cil. Os comprimidos n\u00e3o funcionam; nem a terapia barata fala. (Para escapar ao Matrix 2.0, tem literalmente de entrar num espelho.) Mais tarde, o Analista explica ao Neo como programou a nova simula\u00e7\u00e3o. Ele usa o pr\u00f3prio Neo, e tamb\u00e9m o Trinity, como base para uma esp\u00e9cie de controlo universal da mente. Ele sabe que eles precisam um do outro, por isso torna a sua rela\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel, e isso \u00e9 tudo o que \u00e9 preciso. Tudo o que \u00e9 preciso para o controlar, sugere Wachowski, \u00e9 colocar para sempre a coisa que mais deseja no mundo apenas fora do alcance.\n<\/p>\n<p>\u00c9 uma vis\u00e3o n\u00e3o menos profunda do que a da trilogia original, que a Matrix 4 procura desfazer e refazer para uma nova era, odiada por si pr\u00f3pria e hiperteraptada. A tecnologia pode ser a base da simula\u00e7\u00e3o, argumenta Wachowski, mas \u00e9 a psicologia humana que a permite, e em \u00faltima an\u00e1lise a aceita. \"Est\u00e1 a cagar para os factos\", diz o Analista. \"\u00c9 tudo uma quest\u00e3o de fic\u00e7\u00e3o.  \"Ele tem raz\u00e3o. As pessoas escolhem odiar-se a si pr\u00f3prias, porque a alternativa - amar a si pr\u00f3prias, e libertar-se - \u00e9 mais dif\u00edcil.\n<\/p>\n<p>Ser\u00e1 sequer poss\u00edvel? O filme, como os Matrices sempre fizeram, oferece duas escolhas. Uma \u00e9 a morte, e esta \u00e9 encorajada pelo Analista. Na sequ\u00eancia mais chocante do filme, ele transforma pessoas normais em bots e ordena-lhes que se atirem pela janela - um terapeuta levando as pessoas ao suic\u00eddio. \"Swarm mode\", \u00e9 o que ele lhe chama. At\u00e9 Neo e Trinity, quando toda a esperan\u00e7a parece perdida, optam por saltar.\n<\/p>\n<p>Mas eles n\u00e3o morrem. Voam. Aqui, ao que parece, o filme afirma a outra escolha. Quando se decide n\u00e3o se odiar mais, quando se escolhe a liberdade, est\u00e1-se ' a escolher viver, e viver com os outros. N\u00e3o no passado, ou nas dimens\u00f5es mais baixas das telas, mas num mundo que ''\u00e9 real, arriscado, povoado, vivo''. Todos os dias esta escolha deve ser feita, a cada hora, a cada segundo. N\u00e3o admira que n\u00e3o se queira fazer isso. N\u00e3o admira que prefiram \"n\u00e3o ver este filme\". Preferes odiar-te a ti pr\u00f3prio - e morrer sozinho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Digamos - s\u00f3 por uma quest\u00e3o de argumenta\u00e7\u00e3o, claro - que se odeia a si pr\u00f3prio. Tendo isto em conta, tr\u00eas aspectos espec\u00edficos sobre a sua vida podem ser assumidos. Uma \u00e9 que nostalgia um certo per\u00edodo do seu passado. Liceu, faculdade, o que quer que seja - sente a sua falta. Outro \u00e9 que, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":34726,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[],"class_list":["post-34715","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-angry-nerd"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/movieworld.blog\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34715","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/movieworld.blog\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/movieworld.blog\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/movieworld.blog\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/movieworld.blog\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34715"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/movieworld.blog\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34715\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/movieworld.blog\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34726"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/movieworld.blog\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/movieworld.blog\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/movieworld.blog\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}